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Teste: os efeitos mortais dos pneus com pressão baixa Andar com pneus descalibrados traz riscos e pelo menos uma certeza: você está deixando dinheiro no chão

15/02/2018 | Notícias

Você está dirigindo em uma estrada que lhe é familiar, conhece a velocidade segura para fazer as curvas e se sente perfeitamente à vontade ao volante. Inesperadamente, ao esterçar o volante para executar um traçado sinuoso, o carro reage de maneira inesperada e a traseira parece querer se amotinar e tomar outra direção.

Com sorte, o episódio pode ficar apenas na descarga de adrenalina. Mas o episódio poderia ter conseqüências bem além do susto.

Quando foi a última vez que você calibrou os pneus de seu carro? Se você não se lembra – ou se faz mais de uma semana –, você provavelmente faz parte dos 60% dos motoristas que andam com pneus abaixo da calibragem recomendada pelos fabricantes.

O dado é da Pirelli, que realiza algumas blitzes em shopping centers e supermercados de grandes centros urbanos. Essa porcentagem refere-se a motoristas que andam com a calibragem de pelo menos um pneu – há quem ande com os quatro – abaixo do recomendado pelo fabricante.

Outro dado revelador é fornecido por Roberto Manzini, do Centro de Pilotagem que leva seu nome e especialista em cursos de direção defensiva: 44% dos alunos que chegam para a primeira aula com o próprio carro têm um ou mais pneus com pressão 25% inferior àquela recomendada pelo fabricante.

Não por acaso, Manzini foi nosso parceiro neste teste que avalia as conseqüências de se dirigir com pneus abaixo da calibragem correta.

Nosso ensaio consiste de duas manobras – teste do alce e slalom – e medição de consumo de combustível. Nos ensaios dinâmicos, realizamos cinco passagens: com todos os pneus na pressão correta, com apenas um pneu esvaziado, com os dois do eixo traseiro murchos, uma com os dianteiros descalibrados e, por fim, uma passagem com os quatro pneus com 25% a menos na calibragem.

Para quem não sabe, o teste do alce é um desvio duplo de trajetória, que simula a inesperada entrada de um animal na sua frente. Ao avistá-lo, desvia-se para a esquerda e, em seguida, retorna-se à faixa original.

A manobra ficou mundialmente conhecida depois de ter provocado o capotamento de um Classe A na Europa, na década de 90, fato que levou a fábrica a adotar uma série de equipamentos de segurança que não estavam previstos para o modelo. Algo parecido ocorreu recentemente com a Toyota Hilux.

A manobra tem a fama de desequilibrar dinamicamente boa parte dos carros que passam por ela.

Depois de algumas passagens pelo teste do alce, verificamos que o Renault Mégane com os pneus corretamente calibrados (32 libras nos da frente e 29 nos de trás) vai bem até 95 km/h. Até aí não houve necessidade de correção de trajetória no volante. No slalom, conseguimos manter a média de 40 km/h, antes que o sedã começasse a desgarrar nas curvas.

Reduzimos a pressão do pneu traseiro esquerdo em 7 libras, para simular uma situação usual, relatada por Manzini. E partimos para a primeira passagem no alce.

A diferença é pequena em termos de sensação e se assemelha à de um amortecedor cansado. A carroceria parece inclinar-se um pouco mais nas curvas para a direita (que é quando o peso do carro vai para as rodas da esquerda). A perda de controle não assusta, mas o teste tem que ser feito em velocidade menor: 88 km/h.

Mais que isso, o Mégane exige certa habilidade do motorista, que tem de efetuar correções ao volante para cumprir o percurso estabelecido.

No hora de fazer slalom, nas curvas para a esquerda (quando o Mégane apoia as rodas da direita), não há diferença no comportamento. Nas curvas para a direita, com o apoio sobre o pneu murcho, nota-se maior inclinação da carroceria e menor velocidade média de contorno: 38 km/h.

Com os dois pneus traseiros descalibrados, o Mégane não pôde ultrapassar os 83 km/h no teste do alce. E apresentou certa tendência a sair de traseira. Em uma das passagens, na segunda perna do teste do alce, perdi o controle e derrubei os cones com a lateral do Mégane. Se isso acontecesse no trânsito, o estrago seria grande.

No slalom, com os pneus traseiros abaixo da calibragem, o Mégane manteve o padrão de conduta da manobra do alce: a carroceria inclina demais e nota-se uma tendência a sair de traseira. Com esse comportamento, o motorista é obrigado a fazer o teste em velocidade menor, 36 km/h, no caso, para não acabar perdendo o controle do automóvel.

Na hora de calibrar novamente os traseiros e esvaziar os dianteiros, tiramos 9 libras dos pneus e partimos para desviar do alce. E aí, surpresa: a direção parece ficar mais lenta, demora para atender aos comandos do motorista. Há uma nítida sensação de perda do controle do carro. De cara, acertei o cone de entrada.

Com a deformação do pneu, a resposta do sistema de direção fica mais demorada e o carro perde ângulo de esterço. Para fazer as passagens seguintes, era necessário virar antes – e mais – o volante para repetir a trajetória original. E, nessa condição, não conseguimos fazer o teste (sem derrubar cones) a mais de 85 km/h.

No slalom, o Mégane torna-se mais arisco. E cobra mais braço do condutor para realizar o teste. Na prática, você tem que girar mais o volante para que o carro continue dentro do slalom. Caso contrário, é cone no chão na certa. A média de velocidade ficou na casa dos 34 km/h.

Em seguida, utilizamos os quatro pneus descalibrados. Como era de esperar, esse é o pior dos dois mundos. No teste do alce, o carro continua com tendência a sair de traseira e o motorista ainda tem dificuldade para corrigir o carro. Nessa configuração, não foi possível fazer o percurso acima dos 83 km/h.

No slalom, a tendência a sair de traseira – encontrada com os pneus traseiros mais vazios – diminui pelo fato de a dianteira rolar demais em cada cone. A carroceria inclina, o motorista tem que trabalhar mais e a velocidade diminui. Para conseguir realizar o slalom nessas condições, só até 33 km/h, em média.

A verdade é que, além de reduzir a velocidade de entrada e contorno das curvas, os pneus murchos trazem outra dor de cabeça, ou melhor, de bolso. Rodar com pneus descalibrados é o primeiro passo para um desgaste prematuro e irregular. Não bastasse isso, o veículo vai consumir mais.

Na cidade e abastecido com gasolina, o Mégane fez 7,6 km/l. Com os quatro pneus descalibrados, esse número cai para 7,2 km/l, uma diferença de 5,3% no consumo. Contando que o Mégane tem tanque com 60 litros, a autonomia na cidade será reduzida em 24 quilômetros.

O mesmo vale para a estrada, em menor proporção. Com os pneus calibrados, o Renault percorreu 11,7 km/l. Com a calibragem incorreta, o valor caiu para 11,5 km/l, uma diferença de 1,7%.

Fonte: Revista Quatro Rodas

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